Nov 09

Todos nós, em algum momento das nossas vidas, já fomos vítimas de alguma expressão de violência (física ou psicológica) levada a cabo por uma pessoa ou por um grupo, num local ou num momento em que não tínhamos oportunidade de nos defendermos. Esta acção, de origem Inglesa e sem tradução directa para Português tem o nome de Bullying.

Não sendo exclusivo do contexto escolar, o Bullying pode ocorrer em qualquer idade e em todos os contextos sociais e profissionais. Não obstante é entre os mais jovens que este tema tem gerado maior controvérsia, não só pela justa atenção que o tema merece na manutenção da qualidade de vida destes jovens, como pelas graves sequelas que pode provocar nos adultos de amanhã.

Há várias crenças em redor deste tema, nomeadamente criadas ou defendidas por aqueles que querem diminuir a importância do tema e assim limitar a sua responsabilidade e consequente acção. Ou então, aqueles que acreditam que a acção mais indicada é a de responder a violência com violência.

Foi o que aconteceu comigo enquanto adolescente. Na altura não se ouviam falar destes termos. A ideia de que alguma criança ou adolescente era “violentado” na escola era assumida com total normalidade – “faz parte do processo de crescimento” – era uma frase recorrente – “tens que aprender a defender-te” – era outra.

Evitei informar os meus pais, pois a última intervenção deles resultou num isolamento por parte dos meus colegas de turma, que me observavam como uma frágil peça de porcelana, o que também não era desejado.

Uma outra intervenção por parte de um professor foi a de me incentivar à violência – “Se lhe deres uma chapada na minha aula é porque foi merecida e não só não te expulso como o expulso a ele”. Escusado será dizer, que por muito apelativa que fosse essa oferta, na minha mente, as consequências seriam nefastas, pois acreditava que ele e os “amiguinhos” dele estariam lá fora à minha espera quando saísse.

Admito que esta situação, que se prolongou durante bastante tempo, deixou em mim as suas marcas. Para mais que num momento da minha vida em que eu e todos nós forjamos a nossa personalidade, a adolescência.

Pessoalmente, tendo em conta esta minha vivência, sempre que tenho a oportunidade de intervir perto de alguém vítima de bullying, faço-o com especial agrado. Já a minha experiência nesta área como psicólogo levou-me a reflectir sobre tudo o que fiz de errado enquanto vítima e como posso ajudar aqueles que agora são vítimas.

A ter em atenção e por muito que custe às vítimas, aqueles que aplicam a violência também eles são vítimas. Pois contrariando outra falsa crença, a maldade ou crueldade associado ao bullying não nasce com a pessoa, é aprendida. Por norma, o agressor pertence a uma família destruturada em que não há relacionamentos afectivos de qualidade entre os seus membros. Os pais exercem uma supervisão fraca sobre os seus filhos, toleram e oferecem modelos errados para solucionar conflitos ou comportamentos agressivos. Pode, ele próprio ser vítima de violência que, no seu conjunto resulta numa vida infeliz e quer que os outros partilhem com ele a sua tristeza.

Novamente, tendo em conta a minha experiência e porque se adequa ao contexto, posso partilhar convosco que muitos anos depois, já sendo um jovem adulto, encontrei-me, casualmente com um dos meus principais agressores enquanto adolescente e, admito que fiquei triste. Primeiro fiquei triste comigo, por todo o mal que outrora lhe desejei e segundo pela sombra de pessoa em que ele se tinha transformado. Ele e a roupa que trazia vestida há muito que não viam sabão. Cheirava mal e aproximou-se de mim, sem me reconhecer, na esperança de eu lhe dar uma “moedinha” para “matar a fome”. Fiquei perplexo.

Com certeza que este é um exemplo extremo, mas não deixa de ser igualmente preocupante. Para que as suas vidas futuras não estejam condicionadas pelas consequências de um tempo em que as emoções e os comportamentos reinam cruelmente sobre a razão, tanto o agredido com o agressor devem ser alvo de um algum tipo de ajuda.

Se tem algum tipo de dúvida sobre o tema aqui tratado é favor contactarem-me através do meu e-mail.

Fiquem bem

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Nov 05

Não é difícil de explicar o que é o stress, o que poderá ser difícil é eu ter as competências para me fazer entender. E assim lanço o mote para “esmiuçar” o stress.

Vamos partir do princípio (muito correcto) que eu estou confiante nos meus conhecimentos para escrever um breve post acerca stress. Essa ideia que eu tenho acerca das minhas competências, aliado às condições ambientais favoráveis e outras menos relevantes para o exemplo, dão-me a tranquilidade necessária para o iniciar, ou seja, o desafio que me é apresentado não implica qualquer esforço de adaptação da minha parte. Por outras palavras, não estou sujeito a nenhuma pressão interna (cognitiva) ou externa (ambiente) que leve a algum tipo de desequilíbrio na minha forma de estar. Dito de outra forma, não há stress.

Mas agora vamos adicionar uma variável como por exemplo: será que a pessoa que ler isto vai ficar esclarecida? Agora a situação alterou-se. O conforto que eu sentia na minha sapiência acerca do tema foi posto em causa diante da introdução de um novo desafio. Por outras palavras, o surgimento de uma nova situação leva-me a que eu invista um determinado esforço para me adaptar a ela e quanto maior a necessidade de adaptação maior o esforço. Este esforço de adaptação é entendido como stress.

A necessidade de adaptação a um novo meio é uma constante na manutenção do equilíbrio do qual todos nós, assim como todos os seres vivos dependem. Tendo em vista a manutenção desse equilíbrio, todos nós desenvolvemos aptidões e reunimos recursos, para fazer frente a essas alterações. Assim sendo, quanto menores forem as nossas aptidões e mais escassos forem os nossos recursos maior será a nossa dificuldade de adaptação a uma determinada situação, ou seja, maior será o nosso stress.

Esta nova adaptação nem sempre é fruto de uma necessidade ou desejo nosso, ao contrário do exemplo referido acima, mas uma consequência do meio. Não obstante, a denominação para a reacção do sujeito à alteração do seu meio é a mesma.

As nossas respostas adaptativas, ou dito de outra maneira, o nosso stress depende directamente da forma como nós percepcionamos e avaliamos o que nos rodeia que, por sua vez tem a ver com as variáveis que nos tornam únicos, como a personalidade, ambiente sócio familiar e experiências vividas. Deste modo podemos concluir que o stress de uns não é obrigatoriamente o stress de outros.

Há situações stressantes cuja resolução pode contribuir para o desenvolvimento pessoal de cada um de nós, alias, que frustração e sem sabor seria a vida se esta não nos apresentasse alguns desafios. Por outro lado, como já todos sabemos, há outros tipos de stress que não têm, nem trazem nada de bom.

Há as situações causadoras de stress que se prolongam ao longo do tempo e em que a nossa incapacidade de nos adaptarmos a elas podem limitar em muito a nossa qualidade de vida e situações pontuais, cuja desadequação de competências e recursos face às necessidades é percebida com extrema violência. Em ambos os casos o stress pode deixar graves sequelas, como Reacção Aguda de Stress, ou Perturbação de Stress Pós Traumático e que, consequentemente podem condicionar a nossa qualidade de vida a longo prazo.

Se acredita que eu fui bem sucedido na explicação do que é o stress pode cumprimentar-me através do meu e-mail. Se acha que não fui o suficiente explícito e que poderia ter desenvolvido mais determinadas áreas, como por exemplo, as consequências do stress para o organismo, diga-me isso mesmo pelo mesmo meio.

Obrigado pela visita

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Oct 20

Quem é que já se sentiu abatido, triste, com insónias, sem apetite, sentimentos de inutilidade, falta de confiança…? Todos nós. Qualquer um de nós, num determinado momento da nossa vida, já experienciamos estas situações e é normal, pois fazem parte do continuo processo de adaptação para o que comummente chamamos vida. O que não é normal é a conjugação destes e de outros sintomas por um período superior a duas semanas.

Na gíria popular é vulgar alguém dizer que se sente deprimido. E não é estranho nós percebemos o que é que ele está a querer dizer com isso. Essencialmente está a querer dizer que se sente triste. Então se se sente triste porque é que não diz simplesmente isso? Realmente não interessa porque é que não o faz, o que interessa é as implicações da crença que depressão é sinónimo de tristeza e não é verdade.

Enquanto que a tristeza é um sentimento condicionado no tempo que normalmente evolui para a sua extinção, já a depressão é uma doença mental grave, que provoca uma elevada diminuição na qualidade de vida de quem sofre dela e onde, muito provavelmente iremos encontrar sentimentos de tristeza que não tiveram uma evolução saudável.

A leveza com que, na cultura popular confunde tristeza e depressão leva a que muitas pessoas não procurem ajuda especializada aquando começam a sentir os sintomas. “Tens de ser forte” é o que mais se ouve, ou ainda “tens é de ter paciência que isso passa”. Atenção! Estes conselhos são válidos para muitas situações, mas não para aqueles que já se sente há demasiado tempo no fundo de um poço sem soluções há vista e que, em alguns casos, a morte começa a ser apreciada como uma alternativa. Alias, estes conselhos podem até contribuir para piorar a situação, pois a pessoa já não vai exteriorizar verbalmente o que sente, pois tendo em conta o tempo que já está nesta situação pode vir a ser considerada como fraca.

Se a pessoa com depressão não assume que precisa de ajuda e, ao mesmo tempo não exterioriza verbalmente o que sente, os comportamentos assumem então um lugar de destaque. Comportamentos que derivam de emoções que, por sua vez têm origem em pensamentos. Uma vez que a nossa forma de pensar esta afectada pelo modo como interpretamos a realidade à nossa volta, então os nossos comportamentos também estão afectados. Consequentemente a incompreensão de quem nos rodeia face aos nossos comportamentos pode levar a situações de conflito, isolamento social, entre outras, que vão contribuir ainda mais para a doença.

A procura de ajuda especializada é essencial. Seja ela medicamentosa ou através de um psicoterapeuta, o importante é agir o mais cedo possível. A ter em conta que a utilização de medicamentos, ainda que úteis ou mesmo imprescindíveis numa fase inicial de tratamento de depressões muito graves, não só não tem o impacto que a psicoterapia tem na prevenção de recaídas, como pode contribuir para a diminuição da sua auto-estima, por não ter conseguido “resolver os seus problemas de espírito” sem a ajuda de medicamentos.

Se tem alguma dúvida acerca deste tema pode escreve-la e enviar-me através do meu mail, que eu terei todo o prazer em responde-la.

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