Oct 20

Quem é que já se sentiu abatido, triste, com insónias, sem apetite, sentimentos de inutilidade, falta de confiança…? Todos nós. Qualquer um de nós, num determinado momento da nossa vida, já experienciamos estas situações e é normal, pois fazem parte do continuo processo de adaptação para o que comummente chamamos vida. O que não é normal é a conjugação destes e de outros sintomas por um período superior a duas semanas.

Na gíria popular é vulgar alguém dizer que se sente deprimido. E não é estranho nós percebemos o que é que ele está a querer dizer com isso. Essencialmente está a querer dizer que se sente triste. Então se se sente triste porque é que não diz simplesmente isso? Realmente não interessa porque é que não o faz, o que interessa é as implicações da crença que depressão é sinónimo de tristeza e não é verdade.

Enquanto que a tristeza é um sentimento condicionado no tempo que normalmente evolui para a sua extinção, já a depressão é uma doença mental grave, que provoca uma elevada diminuição na qualidade de vida de quem sofre dela e onde, muito provavelmente iremos encontrar sentimentos de tristeza que não tiveram uma evolução saudável.

A leveza com que, na cultura popular confunde tristeza e depressão leva a que muitas pessoas não procurem ajuda especializada aquando começam a sentir os sintomas. “Tens de ser forte” é o que mais se ouve, ou ainda “tens é de ter paciência que isso passa”. Atenção! Estes conselhos são válidos para muitas situações, mas não para aqueles que já se sente há demasiado tempo no fundo de um poço sem soluções há vista e que, em alguns casos, a morte começa a ser apreciada como uma alternativa. Alias, estes conselhos podem até contribuir para piorar a situação, pois a pessoa já não vai exteriorizar verbalmente o que sente, pois tendo em conta o tempo que já está nesta situação pode vir a ser considerada como fraca.

Se a pessoa com depressão não assume que precisa de ajuda e, ao mesmo tempo não exterioriza verbalmente o que sente, os comportamentos assumem então um lugar de destaque. Comportamentos que derivam de emoções que, por sua vez têm origem em pensamentos. Uma vez que a nossa forma de pensar esta afectada pelo modo como interpretamos a realidade à nossa volta, então os nossos comportamentos também estão afectados. Consequentemente a incompreensão de quem nos rodeia face aos nossos comportamentos pode levar a situações de conflito, isolamento social, entre outras, que vão contribuir ainda mais para a doença.

A procura de ajuda especializada é essencial. Seja ela medicamentosa ou através de um psicoterapeuta, o importante é agir o mais cedo possível. A ter em conta que a utilização de medicamentos, ainda que úteis ou mesmo imprescindíveis numa fase inicial de tratamento de depressões muito graves, não só não tem o impacto que a psicoterapia tem na prevenção de recaídas, como pode contribuir para a diminuição da sua auto-estima, por não ter conseguido “resolver os seus problemas de espírito” sem a ajuda de medicamentos.

Se tem alguma dúvida acerca deste tema pode escreve-la e enviar-me através do meu mail, que eu terei todo o prazer em responde-la.

written by Hélder \\ tags: , , , , ,


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