Nov 23

Para responder a esta pergunta é necessário que primeiro façamos uma avaliação das palavras que constituem a denominação da perturbação.
Começamos por Stress que, como já foi referido noutro poste, não é mais que um esforço do sujeito, voluntário ou não, de adaptação a uma alteração do meio. No Trauma emocional, assim como no stress, não é a situação em si que o determina, mas a forma como a pessoa avalia a situação. A situação é percebida como extremamente stressante em que o esforço e os recursos ao alcance do próprio são insuficientes para a enfrentar e contem três elementos comuns: é inesperado, a pessoa não estava preparada e não havia nada que a pessoa pode-se ter feito para o evitar. Ainda que podendo estar associado a situações extremas o trauma emocional pode resultar de acontecimentos tão comuns quanto um acidente rodoviário, o término de uma relação afectiva, a humilhação, uma experiência profundamente desapontante ou o ter adquirido uma doença crónica que pode condicionar a forma como vivia, entre outras.

Tendo em conta a definição das suas partes passo agora para a definição de Perturbação Stress Pós Traumático. Assim sendo a PSPT é uma reacção a um acontecimento anormal, cujas exigências superaram em muito a capacidade da pessoa em as ultrapassar. O acontecimento é percebido como muito ameaçador à sua segurança, auto-estima e bem-estar. Pode ainda estar associado a uma ameaça à sua integridade física ou de outros e que experienci um forte sentimento de medo, terror ou de impotência. Esta experiência conta como uma exposição a um stressor capaz de induzir o distúrbio de stress pós traumático. Por outras palavras a pessoa é sujeita a um acontecimento traumático, que resulta numa enorme quantidade de stress que, por sua vez não é resolvido e cujas consequências se arrastam no tempo ao ponto de condicionar a sua qualidade de vida.

Tendo em conta a nossa individualidade os sintomas podem variar muito, ainda que, de um modo geral, a resposta de adaptação ao acontecimento envolveu sentimentos de impotência ou horror e experienciam pelo menos um dos seguintes transtornos por um período mínimo de um mês.
• A reexperiência do trauma – em que o sujeito recorda com frequência, através de pensamentos ou pesadelos o acontecimento que lhe causou um extremo de angústia.
• O Evitamento – traduz-se por evitar sistematicamente tudo aquilo que lhe possa recordar o evento traumático. Este comportamento pode causar o evitamento de vários tipos, como; pensamentos, sentimentos ou conversas acerca do incidente e até actividades, lugares ou pessoas, que o mesmo possa associar ao acontecido.
• A Activação – o sujeito sente um aumento da excitação emocional, que se reflecte num estado de hiperactivação fisiológica (por dificuldades em adormecer e em manter o sono ou permanecer num estado dormência durante o período em que está acordado, o que também pode resultar numa acentuada perda de concentração. Irritabilidade ou acessos de cólera. Hipervigilância e resposta de alarme exagerada) que não se verificava antes do acontecimento e que depois deste se mantêm de forma persistente.

Actualmente as intervenções terapêuticas mais eficazes são a psicoterapia cognitiva e comportamental e a medicação com anti depressivos. A terapia de grupo é muitas vezes aconselhada para situações moderadas ou ligeiras, ainda que, recentemente, se tenha desenvolvido alguma controvérsia em redor da eficácia da terapia de grupo.
Em alguns casos, numa desesperada tentativa de enfrentarem o traumatismo, as pessoas procuram refugio no álcool e nas drogas. Nestes casos é igualmente importante tratar a dependência e os problemas fisiológicos associados.

written by Hélder \\ tags: , , , , , ,