Dec 14

Para dar início a este tema vou referir a percepção que registei dos comentários do treinador de uma equipa de futebol. Segundo o próprio as razões que estavam associadas ao mau desempenho da equipa naquele jogo era falta de sorte, mas quando interpelado para justificar as razões do bom desempenho noutro jogo, o mesmo treinador afirmou que se devia ao treino e à estratégia de jogo implementada. Este tipo de avaliação dos acontecimentos, pode ser problemática, principalmente se, inversamente ao exemplo apresentado, as razões de sucesso forem maioritariamente associadas a factores externos e incontroláveis como é o caso da sorte e o insucesso ser unicamente associado ao mau desempenho do próprio.

Estou a falar de auto-estima, cuja importância é determinante para o nosso bem-estar psicológico. Uma baixa auto-estima inibe a nossa relação com o mundo e limita o prazer e gratificação que poderíamos tirar das nossas experiências de vida. Por outras palavras e num tom mais pessoal: se eu associar os meus sucessos a frutos do acaso e os meus insucessos ao meu desempenho então que motivação é que eu tenho em interagir com o mundo? Se tudo o que pode acontecer de bom não depender de mim, então que alegria é que eu tenho quando os alcanço? Devia alegrar-me com a sorte que tive? Sim, devia, mas foi um fruto do acaso. Tanto me podia ter acontecido aqui como em outro lugar. Se eu tivesse contribuído de alguma forma para isto o mais certo era que tivesse corrido mal.

Uma baixa auto-estima leva a uma imagem negativa de nós próprios e, consequentemente tenderemos a ver um acontecimento trivial ou uma imperfeição como um defeito pessoal que não nos é possível ultrapassar. Muitas vezes, principalmente quando estamos tristes, estamos tão envolvidos e convictos destas crenças negativas que não nos apercebemos da sua inadequação, inutilidade e falta de razão.

Se a sabedoria popular nos brinda com a afirmação em que “não é possível agradar a Gregos e a Troianos”, porque é que muitos de nós teimamos em consegui-lo? Ainda que a sociedade nos instigue a nos avaliarmos aos olhos dos outros, o certo é que não teremos o mesmo valor para todos. Assim sendo, tendo em consideração a intenção da opinião dos outros a avaliação mais realista deve partir de nós e aqui entram em jogo outros conceitos, nomeadamente o da rotulagem.

Nos não somos um objecto para nos rotularmos e nem o devemos fazer, pois para alem de ser desprovido de sentido este acto implica uma generalização exagerada a um processo contínuo de mudança, com mudanças psicológicas constantes. Os nossos pensamentos determinam as nossas emoções que, por sua vez, regem os nossos comportamentos. Se os seus pensamentos limitam a sua qualidade de vida, esforce-se por os alterar. Se precisar de ajuda neste processo contactem-me.

Fiquem bem

written by Hélder \\ tags: , , , , , ,