Dec 21

Frustrados com o progresso alcançado em ambiente clínico, não é invulgar aos meus clientes perguntarem-me: o que é que faz um Psicólogo? E não, não estou a dar um tiro no pé ao dizer que já me fizeram esta pergunta. Para dizer a verdade esta pergunta nunca me incomodou, até a considero bem vinda. Esta pergunta é uma fonte muito rica em informação, pois dá início a todo um conjunto de perguntas que vão reforçar as expectativas anunciadas na primeira sessão. Esta questão leva-me a acreditar que o cliente está disposto a dar mais de si, a trabalhar mais, para alcançar os objectivos que o trouxeram até mim.

Pesquisando na Internet a frase “o papel do psicólogo” não faltam alusões ao seu papel de avaliador e facilitador na mudança de comportamentos que estejam a interferir com o seu bem-estar e esta definição é inteiramente verdadeira. Não obstante quero adicionar um contributo mais pessoal ao papel do Psicólogo.

Todas as pessoas têm em si o conhecimento que lhes permite alcançar o equilíbrio psicológico que desejam e necessitam para terem uma vida mental com qualidade, mas, por razões inerentes à própria actividade psicológica, as pessoas sentem por vezes a dificuldade em compreenderem, organizarem e aplicarem esse seu saber. É ai que o psicólogo actua. Na posse de instrumentos e conhecimentos adequados o Psicólogo age como um elemento mediador entre o conhecimento que a pessoa tem e a sua saudável interpretação/aplicação, permitindo a sua transformação e a mudança da sua acção no meio envolvente.

Para levar a cabo a sua actividade, o Psicólogo, depois de criar uma relação de empatia com o cliente, onde foram bem esclarecidas as questões ligadas à confidencialidade, precisa que este fale de si, que conte a sua história, que exiba as suas reflexões e receios. Por outras palavras, o papel do psicólogo é de apoiá-lo e ajudá-lo durante o seu processo de reconstrução.

Se precisar de ajuda neste processo de reconstrução, não hesite em contactar-me.

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Dec 14

Para dar início a este tema vou referir a percepção que registei dos comentários do treinador de uma equipa de futebol. Segundo o próprio as razões que estavam associadas ao mau desempenho da equipa naquele jogo era falta de sorte, mas quando interpelado para justificar as razões do bom desempenho noutro jogo, o mesmo treinador afirmou que se devia ao treino e à estratégia de jogo implementada. Este tipo de avaliação dos acontecimentos, pode ser problemática, principalmente se, inversamente ao exemplo apresentado, as razões de sucesso forem maioritariamente associadas a factores externos e incontroláveis como é o caso da sorte e o insucesso ser unicamente associado ao mau desempenho do próprio.

Estou a falar de auto-estima, cuja importância é determinante para o nosso bem-estar psicológico. Uma baixa auto-estima inibe a nossa relação com o mundo e limita o prazer e gratificação que poderíamos tirar das nossas experiências de vida. Por outras palavras e num tom mais pessoal: se eu associar os meus sucessos a frutos do acaso e os meus insucessos ao meu desempenho então que motivação é que eu tenho em interagir com o mundo? Se tudo o que pode acontecer de bom não depender de mim, então que alegria é que eu tenho quando os alcanço? Devia alegrar-me com a sorte que tive? Sim, devia, mas foi um fruto do acaso. Tanto me podia ter acontecido aqui como em outro lugar. Se eu tivesse contribuído de alguma forma para isto o mais certo era que tivesse corrido mal.

Uma baixa auto-estima leva a uma imagem negativa de nós próprios e, consequentemente tenderemos a ver um acontecimento trivial ou uma imperfeição como um defeito pessoal que não nos é possível ultrapassar. Muitas vezes, principalmente quando estamos tristes, estamos tão envolvidos e convictos destas crenças negativas que não nos apercebemos da sua inadequação, inutilidade e falta de razão.

Se a sabedoria popular nos brinda com a afirmação em que “não é possível agradar a Gregos e a Troianos”, porque é que muitos de nós teimamos em consegui-lo? Ainda que a sociedade nos instigue a nos avaliarmos aos olhos dos outros, o certo é que não teremos o mesmo valor para todos. Assim sendo, tendo em consideração a intenção da opinião dos outros a avaliação mais realista deve partir de nós e aqui entram em jogo outros conceitos, nomeadamente o da rotulagem.

Nos não somos um objecto para nos rotularmos e nem o devemos fazer, pois para alem de ser desprovido de sentido este acto implica uma generalização exagerada a um processo contínuo de mudança, com mudanças psicológicas constantes. Os nossos pensamentos determinam as nossas emoções que, por sua vez, regem os nossos comportamentos. Se os seus pensamentos limitam a sua qualidade de vida, esforce-se por os alterar. Se precisar de ajuda neste processo contactem-me.

Fiquem bem

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Dec 02

Um dos objectivos deste meu blog tem sido o de desmistificar ideias que envolvem determinados comportamentos em que uns, tendo em conta as circunstâncias em que ocorrem devem ser rotulados como normais, e outros que estão, inevitavelmente associados a patologias psicológicas. A perturbação de pânico enquadra-se perfeitamente neste quadro.

Quando alguém sente dificuldade respiratória, sensação de morte, vertigens, aumento do ritmo cardíaco, sudação, falta de ar e dor no peito, entre outros, face a uma situação que é percebida como causadora de morte e ela existe efectivamente, esta é uma reacção normal e é denominada de reacção de pânico. Já quando a situação acontece sem motivo aparente, espontaneamente, com regularidade e a pessoa desenvolve um receio efectivo à ocorrência de novas situações ao ponto de lhe alterar o comportamento, considera-se que é uma patologia e adquire o nome de perturbação de pânico.

A sensação de impotência que advém da crença da falta de controlo que a pessoa tem do seu próprio corpo e pensamentos que o podem levar a comportar-se de forma embaraçosa (como gritar, tremer ou fugir em situações públicas), leva a que muitas pessoas sofram de ansiedade antecipatória que pode evoluir para depressão e desenvolvam crenças e comportamentos fóbicos aos lugares onde ocorreram os ataques de pânico. Tendo em conta a sintomatologia, é igualmente comum o desenvolvimento de quadros hipocondríacos.

Não há nenhuma característica que possa definir os locais ou situações que predispõem a pessoa a um ataque de pânico, ao ponto de os mesmo poderem ocorrer no conforto do próprio lar. Num entanto, situações causadoras de um elevado nível de stress como é a morte de uma pessoa amiga, separação, situação de desemprego, entre outras, ainda que não sendo só por si as causadoras da doença, vão, inevitavelmente facilitar o seu desenvolvimento.

Se quem está a ler este blog tem algum dos sintomas acima indicados por um período de tempo significativo, ou conhece alguém que os tem, podem e devem alegrar-se com os grandes avanços que já se conseguiram fazer nesta área. A intervenção ideal inclui um acompanhamento farmacológico e terapia cognitivo-comportamental.

A intervenção psicológica passa pela consciencialização do próprio para o seu problema e o modo de actuação quando começa a sentir os primeiros sintomas. O treino que é levado a cabo acerca do modo de actuação, leva a que a pessoa adquira uma maior sensação de controlo sobre o acontecimento, procurando-se assim, evitar o pânico.

Se quiserem comentar o artigo ou apresentarem alguma questão, não se inibam de me enviarem um e-mail através do meu blog.

Fiquem bem

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